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Nossa Cidade

 

HEITORAÍ.

População: 3.571 (Censo 2010). 3.714 (Estimativa 2018)

Área Territorial: 230 km²

Fonte: IBGE

Gentílico: Heitoraiense

 

HISTÓRIA

Uma maneira de entendermos a atual configuração socioespacial de Heitoraí é por meio de sua memória. Ressaltamos, nesse sentido, o papel dos migrantes e das famílias que marcaram a história desse município. Estamos nos referindo aos sujeitos e atores sociais. Por isso, de maneira simples, apresentaremos os processos e acontecimentos basilares para a formação de Heitoraí.

No final do século XIX, além das ferrovias na região sul, um importante meio de ligação entre Goiás e outras regiões do país era o fluvial. Isso se explica pela pequena quantidade de estradas do período e suas condições impraticáveis de circulação. Na época, obrigadeiro Couto Magalhães adquiriu dois vapores (de navegação), os quais foram transportados em doze carros-de-bois até as margens do rio Araguaia, em Aruanã. Uma família portuguesa (os Guedes) realizava atividades nesse Rio nos equipamentos da Coroa por 20 anos. Mas, após o fim do contrato, os vapores não foram mais utilizados.

No início do século XX, após o término das atividades no rio Araguaia, a referida família (nas pessoas de Joaquim Guedes, Adolfo Guedes e Luiz Guedes) requereu cinco mil alqueires de terras devolutas do Estado ao governador da época Brasil Caiado. A terra abrangia toda a área onde hoje se localiza Heitoraí. A fazenda recebeu o nome de “Capim Puba”. Após o desmatamento de algumas áreas, as primeiras atividades agrícolas estiveram ligadas à produção de café. Podemos mencionar, também, a cana-de-açúcar, que foi muito utilizada quando a família Guedes construiu uma fábrica de açúcar turbinada.

Na capital (Cidade de Goiás), o açúcar comercializado era o mascavo - de costume da época. Mas, como o açúcar produzido pelos Guedes era branco (devido a inovação das máquinas), sofreu rejeição ao ser apresentado aos comerciantes da capital. Devido a aparência, os compradores suspeitaram haver soda no açúcar. E assim, por não conseguirem vender a sua produção, os Guedes foram a falência. Diante do prejuízo, desfizeram de suas terras.

Esse foi um dos momentos decisivos para a formação de Heitoraí. Isto pois, a grande extensão de terras dos Guedes, por negociação e comercialização, foi dividida e mais famílias puderam ocupá-las. Primeiramente, foi vendida aos paulistas Francisco Crisóstomo e Joaquim Crisóstomo. Na década de 1930, estes venderam uma parte ao Joaquim José de Paula, que pertencia à família dos Heitores (também paulista e primo dos Crisóstomos). Em 1946, outra parte foi negociada (544 alqueires) com Maximandro, que logo revendeu ao Olavo Costa Campos. Assim, a terra foi se fragmentando em outras propriedades. Dentre esses “novos” proprietários, podemos mencionar algumas famílias: Limas, Borges, Mouras, Batistas, Gamas entre outras.

Marcante também foi a formação das colônias e, juntamente, as lavouras de café. As famílias Campos, Crisóstomo e Paula, dentre outras, foram importantes produtores desse grão. Porém, as lavouras de café (que estavam em queda) logo deram lugar ao arroz e milho. Na metade do século XX, a capital do estado já não era mais a Cidade de Goiás e as políticas de ocupação do Centro-Oeste brasileiro (conhecida como Marcha para o Oeste) estavam em prática. Em outras regiões do Brasil, as notícias sobre a porção central de Goiás destacavam as terras baratas, férteis e a promessa de trabalho oferecido nas fazendas.

A porção central de Goiás, na época conhecida por Mato Grosso de Goiás, foi povoada por grandes correntes migratórias. Mais de trezentas famílias, vindas em sua maioria de Minas Gerais e Bahia, migraram para a localidade onde hoje encontra-se o município Heitoraí e constituíram as colônias.

A religiosidade, evidenciada pela forte influência da Igreja Católica, também desempenhava importante papel na estrutura de poder. Nesse período (meados do século XX), a maioria da população era católica. Um dos fazendeiros da época, Joaquim José de Paula, por meio de promessa à “Nossa Senhora Aparecida”, doou na década de 1940 dois alqueires de terra próximo ao Rio Uru (margem direita) e ajudou a construir uma Capela.

Como afirmamos anteriormente, o declínio da produção de café deu lugar as lavouras de arroz e milho. Nesse período ainda haviam migrantes vindos de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, etc., para as colônias e também arrendar ou meiar terras e constituírem suas próprias lavouras. Nas fazendas já era difícil manter a grande quantidade de trabalhadores, o que se deve, também, ao surgimento de sindicatos. Como consequência, alguns proprietários diminuíram a produção de grãos e intensificaram a criação de bovinos. Muitos trabalhadores, mesmo continuando na condição de lavradores, foram morar no entorno da Capela. Segundo Nascimento dos Santos et al (idem), o primeiro morador foi o Sr. Onestino Correia. Após isso, o fazendeiro Joaquim José de Paula também passou a residir próximo a Capela.

Portanto, no município de Itaberaí, o povoado apelidado de Capela começa a surgir. Este é outro momento (década de 1950), o qual consideramos basilar para o processo de formação de Heitoraí. Podemos sistematizá-los da seguinte maneira:

·        Primeiro momento: quando os Guedes vendem suas terras e mais famílias ocupam-nas;

·        Segundo momento: a constituição das lavouras e a chegada de migrantes – formação das colônias;

·        Terceiro momento: a construção da capela e o surgimento do povoado.

Estes momentos foram importantes porque a partir deles e desenvolveram as bases para que Heitoraí, mais tarde, pudesse ter uma dinâmica de cidade.

Já na década de 1950, em função do aumento de moradores no povoado e, consequentemente, de devotos católicos, iniciou-se a construção da Igreja Matriz ao lado da Capela. Foi feita com ajuda de fazendeiros, dos próprios moradores e de rendas provenientes das festas religiosas. Todo o material para a construção foi transportado em carro de boi.

A construção de uma Igreja maior significa que já havia uma “comunidade” constituída. O surgimento de um povoado, e como Milton Santos (1979) afirmou, a constituição de uma aglomeração, exige que certas necessidades sejam satisfeitas por bens e serviços. Por isso, além da Igreja no lugar da capela, a população necessita também de serviços como educação e saúde, equipamentos, produtos básicos, etc. Na década de 1950 haviam pequenos mercados, bares, farmácia, cabeleireiro e novas religiões. Os filhos de fazendeiros tinham professoras particulares em suas próprias residências. Mas, e o restante da comunidade? Nessa mesma década a prefeitura de Itaberaí construiu a primeira escola do povoado, o grupo escolar “Coronel João Caldas”. Esse grupo passou a receber o nome de Olavo Costa Campos - hoje é Escola Estadual.

Ponto fundamental no processo de formação de Heitoraí foi sua emancipação. Através da lei de criação 6.653, de 8 de outubro de 1963, deixa de ser povoado/distrito de Itaberaí e passa a ser, de acordo com a lei, um município. Em homenagem ao Joaquim José de Paula (por ter doado o terreno e ajudado na construção da Capela – onde iniciou-se o povoado), o primeiro mandato do município foi seu e o nome da cidade foi em homenagem ao sobrenome de seu pai: Heitor. As duas últimas letras de Itaberaí juntaram-se a esse sobrenome e formou-se o nome da cidade (Heitor + aí = Heitoraí). Esse termo, portanto, guarda um costume da época: o de homenagear o pai, o que indica uma estrutura social fortemente assentada no papel masculino.

Mesmo com a emancipação, o município, continuou predominantemente rural. O modo de vida, o trabalho, o cotidiano, nesse sentido, eram essencialmente rurais. Na própria estrutura de poder, a figura do fazendeiro era muito forte. Cita-se, também, o papel do padre, do benzedor, entre outros. O tempo lento era hegemônico. O carro, a TV, as máquinas agrícolas eram raríssimos no município. Além do mais, as vias de acesso tinham más condições. Ou seja, destacava-se a carroça, o cavalo e o carro-de-boi. As relações com as cidades vizinhas e com Goiânia, nesse sentido, eram bastante elementares.

Porém, os repasses do Estado ao “novo município” atraíram mais habitantes, garantiu renda e proporcionou mais serviços. Novas instituições foram implantadas, a exemplo da Escola Municipal Alcides Rangel, inaugurada em 1966, que passou a ser, em 1967, Estadual e recebeu novo nome: Colégio Estadual Dom Abel.

Na passagem da década de 1960 para 1970, a população urbana de Goiás começa a superar a rural. Tempo em que o campo tornou-se mais produtivo e milhares de trabalhadores rurais passaram a residir nas cidades (êxodo rural). Em Heitoraí também foi um período de ascensão da população urbana e declínio da população rural. Em 1977 é construído um posto de saúde, em 1978 a prefeitura municipal, 1983 uma nova escola Estadual – Joaquim Teodoro de Souza e, em 1987, o Hospital municipal. As funções do Estado e município foram ampliadas. Na década de 1980 a população de Heitoraí alcançou 3.283 habitantes, sendo 1.833 urbanos e 1.450 rurais. A taxa de urbanização era de 55,89 %. Portanto, por mais que a população urbana fosse maior, ainda haviam muitos habitantes residindo no campo.

A concretização das funções do Estado e Município foram primordiais para a formação de Heitoraí. Caracterizamos este como o quarto momento da formação de Heitoraí, em que se destacam a emancipação e a implantação de instituições estaduais, a exemplo do colégio e da delegacia. Na metade da década de 1980, com a pavimentação da rodovia estadual GO 156, que liga Heitoraí à Itaberaí, estabeleceu-se novas relações do município com outras cidades. Observe na imagem o arranjo espacial da cidade na década de 1980.

O campo passou a ser mais produtivo, em consequência mais vazio. Conforme demonstra o gráfico, de 1980 para 1996 a população urbana aumentou, porém, o declínio populacional dos residentes rurais foi maior. Por isso, houve uma diminuição no total de habitantes. Isso ocorreu porque significativa parcela de residentes rurais não migrou necessariamente para a cidade de Heitoraí, mas principalmente para Goiânia.

 

População residente de Heitoraí (1980-2005)

Fonte: IBGE (2005)

Org.: Denis Castilho

 

De 1996 para 2005 a população rural aumentou. Esse fato relaciona-se ao Movimento dos Sem Terra. De acordo com a Superintendência Regional do INCRA, 91 famílias foram assentadas por meio da reforma agrária em 2.996,2030 ha de terras no município de Heitoraí. Foram 5 projetos de assentamento: Bom Jesus, Lagoa Grande, Brumado I, Margarida Alves e São Bento. Nas últimas décadas, o balanço demográfico mostra uma sedentarização da população, uma vez que em 2007 foi estimado 3.711 habitantes.

Portanto, a formação de Heitoraí tem relação com os quatro momentos destacados até aqui. É importante mencionar que, a partir das décadas de 1980 e 1990, a relação do município com outras cidades aumentou. O fluxo de informações, pessoas, produtos e bens também aumentou, evidenciando novas lógicas territoriais e a contemporaneidade do município.

 

FONTE: Trechos retirados do livro Tempo do espaço, tempo da vida: uma leitura socioespacial de Heitoraí, de Denis Castilho.

Ficha bibliográfica: CASTILHO, Denis. Tempo do espaço, tempo da vida: uma leitura socioespacial de Heitoraí. Goiânia: Editora Ellos, 2007.

 

 

 

  • Nosso Prefeito
    Nosso Prefeito Lúcio Pires dos Santos. "Honestidade e Trabalho por Heitoraí". Melhorar a…

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