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Nossa Cidade

HISTÓRIA DE HEITORAÍ.

População: 3.711 habitantes

Área Territorial: 230 km²

IBGE: 520960

Gentílico: Heitoraiense

         Uma maneira de entendermos o surgimento de uma cidade é através de sua memória, relevância das famílias que fizeram a história da cidade: elas são sujeitos e atores sociais. Sem essa história não haveria a possibilidade de conhecermos o que hoje chamamos de Heitoraí. Assim, de maneira simples, mostraremos os principais fatos que foram primordiais para a formação de Heitoraí.

         No final do século XIX, além das ferrovias na região sul, um importante meio de ligação entre Goiás e o restante do país era o fluvial, principalmente através do Rio Araguaia; isso devido as poucas estradas e suas condições impraticáveis de circulação. Na época, o brigadeiro Couto Magalhães conseguiu dois vapores (de navegação), os quais foram transportados em doze carros de bois até as margens do Araguaia, em Aruanã. Uma família portuguesa (os Guedes) realizou a navegação no Rio Araguaia durante vinte anos. Podemos perceber que estes portugueses tinham em mente perspectivas de inovação para a Capital do Estado. Goiás nesta época estava em crescimento, começava a surgir novas imigrações, o povo a espera de melhorias a cada dia. Com isso, a família Guedes continuava o seu trabalho em busca de riquezas através da navegação no Rio Araguaia, entretanto, esses vapores eram da Coroa e foi colocado em licitação pública; quem desse o maior lance ficava com a navegação no Rio. O Brigadeiro Couto Magalhães pensava nisso porque naquela época o rio Araguaia e o Tocantins cortava do sul ao norte do país, ele imaginava que a integração só se daria por vias fluviais, pois as estradas eram impraticáveis, a não ser as ferrovias no sul, não se pensava nisso aqui em Goiás e Mato Grosso. Esse período de navegação dessa família durou cerca de 20 anos, terminando com o contrato da navegação. Essa família se dedicou muito para que o estado de Goiás se desenvolvesse, porém não teve o sucesso esperado nas atividades nesse Rio, nos equipamentos da Coroa, que terminou com o fim do contrato. No início do século XX a Família Guedes, requereu cinco mil alqueires de terras devolutas do Estado através do governador da época Brasil Caiado. A terra abrangia toda a área onde hoje se localiza Heitoraí. A fazenda recebeu o nome de “Capim Puba”. Após a chegada, deram início as atividades agrícolas, com as lavouras de café, logo após cana-de-açúcar, que impulsionou a construção de uma fábrica de açucares turbinada.

         Na capital (cidade de Goiás), o açúcar comercializado era o mascavo, de costume na época. Mas como o açúcar produzido pelos Guedes era branco (devido à inovação das técnicas de produção, maquinas) ao ser apresentado aos comerciantes da capital sofreu grandes rejeições. Isto porque os comerciantes suspeitaram que houvesse a presença de soda no açúcar, devido a sua aparência (cor branca). E assim, por não conseguirem obter lucros com sua produção, os Guedes foram à falência. Com isso tiveram que vender as suas terras. A fazenda foi vendida aos paulistas Francisco Crisóstomo, e Joaquim Crisóstomo na década de 30 (1930), estes venderam uma parte para Joaquim José de Paula, que pertencia à família dos Heitor (também paulista e primo dos Crisóstomo). Em 1946, outra parte foi negociada (544 alqueires) com Maximandro, que logo vendeu ao Olavo Costa Campos, e assim, a terra foi se fragmentando em outras propriedades. Dentre esses “novos” proprietários, podemos mencionar algumas famílias: Limas, Borges, Mouras, Batistas, entre outras.

         Importante também foi a formação das colônias e, juntamente as lavouras de café. As famílias Campos, Crisóstomo e Paula, dentre outras, foram grandes latifundiários desta região. Porém, as lavouras de café logo deram lugar ao arroz, milho, entre outros. Tempos depois vieram para a região mais de 300 famílias, em sua maioria de Minas Gerais e Bahia, e se estabeleceram na região – hoje Heitoraí – e construíram as colônias de trabalhadores rurais.

         Neste período (quase meados do século XX), a maioria dos fazendeiros e camponeses eram devotos católicos. Assim um dos fazendeiros da época, Joaquim José de Paula, através de promessa à “Nossa Senhora Aparecida”, doou na década de 40 (1940) dois alqueires de terras próximo ao Rio Uru – margem direita e contribuiu com a construção de uma capela – todo o material para a construção foi transporte em carro de boi.

         Como foi mencionado anteriormente, o declínio da produção de café deu origem as lavouras de arroz e milho. Mas ainda havia mais pessoas vindo para a região, como de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, entre outras localidades do país, para as colônias e também para arrendar ou mear terras e construir suas próprias lavouras. Nas fazendas já era difícil manter a grande quantidade de trabalhadores (isso em decorrência também do surgimento de sindicatos). Como consequência, alguns proprietários passaram a intensificar a criação de bovinos e com isso muitos camponeses mesmo continuando como lavradores, foram morar no entorno da capela: o primeiro morador a se estabelecer próximo a capela foi o Sr. Onestino Correia, logo depois o fazendeiro Joaquim José de Paula também passou a residir ao redor da capela. Assim no município de Itaberaí, o povoado apelidado de Capela começa a surgir. Podemos dividir a formação de Heitoraí em momentos:

          Primeiro Momento – Quando os Guedes venderam suas terras e mais famílias ocupam-nas;

          Segundo Momento – A constituição das lavouras e a chegada de migrantes – formação das colônias;

     Terceiro Momento – A construção da Capela e o surgimento do povoado. Estes momentos foram de grande importância, pois a partir deles que se desenvolveram as bases para que, mais tarde Heitoraí pudesse se tornar uma cidade.

         Já na década de 50 (1950) iniciou-se a construção da Igreja Matriz, ao lado da Capela, foi construída com ajuda de fazendeiros, dos próprios moradores e de rendas proeminentes das festas religiosas, outro meio importante foi o carro de boi. A construção de uma Igreja significa que já havia uma comunidade constituída. Neste período, década de 1950, a prefeitura de Itaberaí implantou a primeira escola do povoado, o Grupo Escolar “Coronel João Caldas”; esse grupo escolar anos depois recebeu o nome de Olavo Costa Campos, hoje é Escola Estadual de mesmo nome. O mesmo foi implantado para atender todas as crianças em idade escolar, isso porque somente os filhos dos fazendeiros tinham acesso a educação no povoado.

         Um ponto fundamental no processo de formação de Heitoraí foi sua emancipação. Através da Lei de Criação 6.653 de 08 de outubro de 1963, deixa de ser povoado/distrito de Itaberaí e passa a ser município de acordo com a Lei. Em homenagem ao Joaquim José de Paula (por ele ter dado o terreno e ajudado na construção da capela – onde iniciou-se o povoado), o primeiro mandato do novo município foi seu e o nome da cidade decorreu do sobrenome de seu pai: Heitor e das duas ultimas letras de Itaberaí, juntaram aquele sobrenome e formou-se o nome da cidade: (Heitor + aí) Heitoraí. Esse termo, portanto, guarda um costume da época, o de homenagear o pai. o que indica uma estrutura social fortemente assentada no papel masculino.

         Mesmo com a emancipação do povoado, a ‘Nova Cidade’ continuou predominantemente rural, assim mesmo reconhecida legalmente como cidade, Heitoraí continua fortemente ligada as atividades do campo, portanto o modo de vida, o trabalho, o cotidiano eram essencialmente rural.

         O Novo Município já formado e com os repasses do Estado começou atrair mais habitantes, e assim garantiu renda e proporcionou mais serviços além dos que já havia. Nesse período novas instituições foram implantadas, como: A Escola Municipal Alcides Rangel, inaugurada em 1966, que passou a ser em 1967 Estadual, e recebeu novo nome: Colégio Estadual Dom Abel.

         Na passagem da década de 1960 para 1970, a população urbana de Goiás começou a superar a rural, em Heitoraí também foi um período de acessão da população urbana e declínio da população rural. No ano de 1977 foi construído um posto de saúde, e em 1978 a prefeitura municipal, em 1983 uma nova escola estadual, a Escola Estadual Joaquim Teodoro de Souza, e em 1987 o Hospital Municipal. As funções do Estado e Município foram ampliadas. Ainda na década de 1980, a população de Heitoraí alcançou 3.283 habitantes, sendo 1.833 urbanos e 1.450 rurais. A taxa de urbanização era de 55,89%, portanto, por mais que a população urbana fosse maior, ainda havia muitos habitantes residindo no campo. A concretização das funções do estado e município foi muito importante na formação de Heitoraí, esse pode ser considerado o quarto momento – Nesse momento entra a emancipação, implantação de instituições estaduais como colégio, delegacia, também foi implantado em Heitoraí várias outras obras: Ginásio de Esporte, Estádio de Futebol, praças, etc.

         Na metade da década de 1980, com a pavimentação da rodovia estadual GO 156, que liga Heitoraí a Itaberaí e Itapuranga, estabelece-se novas relações do município com outras cidades. Estes são fatos que trouxe Heitoraí para o território goiano. Outro ponto que vale a pena destacar é em relação ao aumento da população em 2005 nesse período a população rural aumentou significamente, este fato relaciona-se ao MST – Movimento dos Sem Terra. No município de Heitoraí foram assentadas 91 famílias, através da Reforma Agrária, em 2.996,2030 ha de Terras. Foram 05 Projetos de Assentamento: Bom Jesus, Lagoa Grande, Brumado I, Margarida Alves e São Bento.

         Por fim este é um breve histórico de Heitoraí-Goiás.

FONTE:

Retirado do livro Tempo do Espaço, Tempo da Vida: Uma Leitura Socioespacial de Heitoraí. Editora Ellos. 2007.Goiânia. Denis Castilho

  • Nosso Prefeito
    Nosso Prefeito Lúcio Pires dos Santos. "Honestidade e Trabalho por Heitoraí". Melhorar a…

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